Projetar exige controle técnico, previsibilidade de custos, atenção ambiental e fidelidade entre intenção e resultado construído. Aliar forma e desempenho é requisito básico na arquitetura contemporânea. É nesse contexto que o sistema construtivo steel frame entra em evidência no Brasil, não apenas como alternativa tecnológica, mas também como uma mudança estrutural na forma de pensar e executar a obra. Para Ricardo Godinho, diretor da Serit, o momento representa uma virada de chave no setor. “Nós enxergamos o steel frame como um sistema de ‘projeto que vira obra com precisão’. Ele desloca o centro de gravidade do canteiro para o projeto”, afirma.
Mais do que construção a seco, o steel frame impõe uma lógica de planejamento rigoroso. Compatibilização, detalhamento e decisões antecipadas passam a ser elementos estratégicos. “Planejamento vira velocidade; compatibilização vira economia; a especificação correta dos materiais vira qualidade percebida”, resume o diretor. Em um setor historicamente marcado por improvisos, o sistema surge como resposta à escassez de mão de obra, à necessidade de previsibilidade e à crescente exigência por desempenho técnico e sustentabilidade mensurável.

Precisão, industrialização e desempenho
O steel frame traz inúmeros diferenciais técnicos. Dentre eles, estão a precisão dimensional, a industrialização do processo e o desempenho por composição. As paredes deixam de ser massa e passam a funcionar como sistemas multicamadas, combinando estrutura, isolamentos, barreiras e fechamentos.
“No steel frame, qualidade não é sorte: é consequência do método” Ricardo Godinho
A leveza estrutural reduz impactos em fundações e amplia a flexibilidade de implantação em diferentes terrenos.
Prazo como consequência do processo
A tecnologia promove uma redução significativa nos prazos da obra. Mas esse encurtamento de tempo não ocorre por aceleração artificial, mas pela eliminação de incertezas. Obras a seco dispensam tempos de cura, permitem paralelismo real entre etapas e reduzem retrabalho. “No steel frame, prazo não é correria, é consequência de método, detalhamento e fluxo de execução”, explica o diretor da Serit. A industrialização transfere etapas críticas para ambientes mais controlados, diminuindo interferências de clima e improvisos de canteiro.
Previsibilidade de custos e gestão de risco
A principal economia do steel frame, de acordo com Ricardo Godinho, está na mitigação de riscos. Aditivos de prazo e valor, comuns em obras convencionais, costumam estar associados a projetos frágeis e decisões tardias. “Steel frame não promete milagre, ele promete previsibilidade. Isso é raro na construção”, afirma. Antecipar decisões e compatibilizar interfaces transforma o orçamento em uma ferramenta governável, e não em uma estimativa otimista.
Sustentabilidade baseada em processo
A sustentabilidade do steel frame se manifesta de forma objetiva: menor uso de água, redução significativa de resíduos, canteiro mais limpo e possibilidade de incorporar materiais recicláveis, como aço, lã de PET e isolantes com conteúdo reciclado. Em obras bem moduladas, as perdas podem chegar a apenas 1% ou 2% dos materiais principais. “O canteiro deixa de ser um espaço de produção precária informal e passa a ser um ambiente de montagem planejada”, explica o diretor da Serit.

Estética sem limites
Longe de impor uma linguagem única, o steel frame amplia as possibilidades arquitetônicas. Volumetrias livres, vãos bem resolvidos e maior fidelidade ao desenho são algumas promessas. O sistema também dialoga com outras tecnologias construtivas, como aço estrutural e madeira engenheirada.
“O steel frame não industrializa a estética. Ele industrializa o processo Ricardo Godinho
Essa versatilidade permite transitar do minimalismo contemporâneo ao vernacular, que valoriza características locais ou regionais. Em projetos na Bahia, por exemplo, a Serit já viabilizou obras com linguagem rústica, telhados de piaçava, madeira e pedra regional, sem abrir mão de desempenho e durabilidade. O segredo está na tradução técnica correta das interfaces e dos materiais.
Lições da prática
O Condomínio Reserva dos Jacarandás, em Praia do Forte, desenvolvido em parceria com o escritório Architects +CO, é um exemplo emblemático do uso da tecnologia. Mesmo com a obra já em andamento, foi possível industrializar etapas críticas, como a cobertura em light steel frame com telha shingle. O resultado foi ganho de estanqueidade, organização e produtividade.
“Foi um aprendizado claro: o melhor resultado acontece quando o steel frame entra no tempo certo, ainda na fase de projeto” Ricardo Godinho
O futuro da construção a seco
Para Ricardo Godinho, o steel frame não vem substituir todos os sistemas, mas ocupar o espaço onde método, controle e performance são indispensáveis. Com o avanço do BIM, o fortalecimento normativo e a maturidade do ecossistema técnico, o steel frame deixa de ser exceção e se consolida como uma solução robusta, consistente e confiável. “A construção a seco é um caminho cada vez mais natural para a arquitetura brasileira. Não por modismo, mas porque ela responde a dores estruturais do setor: produtividade, previsibilidade, escassez de mão de obra e necessidade de desempenho”, conclui o gestor.

