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Criatividade Cromática

Entre os valores arquitetônicos, talvez o que mais salte aos olhos, concorrendo em par de igualdade com a forma, seja a cor. As cores têm um importante papel tanto na linguagem decorativa quanto comunicativa e, quando utilizadas com critério, podem fomentar a interação positiva entre o homem e o ambiente construído, seja no estimulo da criatividade nos locais de trabalho, seja melhorando o conforto ambiental do ambiente na qual é utilizada.

As cores estão ligadas aos sabores, sensações e sentimentos e influenciam diretamente o ser humano, tanto no caráter fisiológico como psicológico, uma paleta de cores pode intervir em nossa vida, criando alegria ou tristeza, exaltação ou depressão, atividade ou passividade, calor ou frio, equilíbrio ou  desequilíbrio, ordem ou desordem, modificando o comportamento de clientes em centros de compra, estudantes em salas de aula ou trabalhadores em seus escritórios. As cores podem criar impressões e sensações de grande importância, porque cada uma delas tem uma vibração determinada em nossos sentidos podendo estimular a consciência e agindo em nossos impulsos e desejos.

Harmonia cromática

Algumas vezes, um projeto de decoração se destaca e consegue chamar a sua atenção.Entre tantos outros, um dos motivos pode ser a utilização de uma harmonia cromática bem produzida, pois padrões assim nos remetem ao belo.

De modo geral, são empregados critérios básicos de classificação de cores para decoração: cores quentes, cores frias, e cores neutras. Cores quentes são as cores que transmitem calor, alegria e luz, a exemplo do amarelo, laranja e vermelho.Cores frias caracterizam-se pelas cores menos vibrantes, melancólicas, calmas, como o verde,roxo e azul. Cores neutras como preto, o branco e o cinza, em todas as suas tonalidades, claras ou escuras formam as cores neutras. As demais cores, quando perdem o seu colorido pela excessiva mistura com o preto, o branco ou o cinza, também se tornam cores neutras.A cor pura (denominada matriz), produz efeitos extremos, que tornam o ambiente excitante ou monótono demais. Por outro lado, o uso combinado das cores proporciona sensações agradáveis e resultados positivos, tanto no aspecto físico, ampliando ou reduzindo espaços,como psicológicos, ativando ou suprimindo comportamentos.

Criar esquemas cromáticos exige, no entanto,que o profissional conheça muito bem os efeitos da irradiação energética sobre o homem e suas consequências psicodinâmicas e interativas.

Absortância térmica e conforto ambiental

Enquanto os aspectos psicológicos das cores podem ser explorados nos círculos cromáticos deforma artística, a absortância térmica é medida e classificada cientificamente para ser utilizada de forma analítica e criteriosa, a fim de auxiliar o profissional que busca proporcionar uma arquitetura eficiente e confortável.

No conceito de conforto ambiental, a absortância térmica é uma propriedade relativa a cor de superfície de um determinado material. De acordo com a NBR15220 (Norma de Desempenho) “absortância à radiação solar é o quociente da taxa de radiação solar absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre a mesma superfície.”Está relacionada principalmente à cor do material e pode ser medida com o espectrofotômetro.

De forma resumida, a absortância de uma superfície é classificada de acordo com a intensidade das suas cores. Cores escuras absorvem mais calor e cores claras absorvem menos calor. Um bom nível de conforto ambiental é mais facilmente atingido quando as tonalidades escolhidas para uma fachada residencial, por exemplo, levaram em consideração a quantidade de radiação solar na localização geográfica da construção.

As paredes internas também absorvem mais ou menos calor de acordo com a tonalidade das cores decorativas do ambiente.

No Brasil, a vigência dessa Norma ainda é recente, sendo assim, a maioria dos fabricantes de tinta ainda não trazem em seus catálogos a classificação de absortância de suas tintas, porém, esta é uma realidade que esta mudando rapidamente devido à atualização das normas e das exigências quanto aos níveis de eficiência energética das edificações.